15/02/2016

Resenha: Gigantes - Pedro Henrique Neschling

Nome: Gigantes (2015)
Autor: Pedro Henrique Neschling
Editora: Paralela
Páginas: 232
Sinopse: Tudo começa numa festa de formatura de ensino médio. Cinco amigos comemoram juntos o tão aguardado fim da vida escolar. Apesar de bem diferentes entre si, têm algo em comum: enxergam o futuro como um mar de possibilidades a ser descoberto e explorado. Sonham em ser gigantes, tão grandes quanto suas ambições. Mas para nenhum deles o futuro será conforme o previsto. À medida que os anos passam, os jovens deparam com as complexidades trazidas pelo chamado da vida adulta. Desilusões amorosas, questões familiares, conflitos na carreira, dúvidas e mais dúvidas… É inevitável: ao chegar perto dos trinta, todos nos tornamos um pouco mais desencantados e - por que não? - sábios. Mas e os sonhos da juventude, onde vão parar?
Desde que li "Um Dia", do David Nicholls, sou apaixonada por histórias que são contadas ao longo de vários anos, ainda mais quando ela fala sobre a vida de cinco personagens tão simpáticos quanto os criados por Pedro Henrique Neschling em "Gigantes", novo lançamento da Companhia das Letras.

Começamos o livro com Fernando, hoje um produtor cinematográfico, assistindo ao vídeo de sua formatura do ensino médio e lembrando dos amigos Zidane e Felipe, da ex-namorada Duda e de Camila, a garota que fez seu namoro acabar. A partir desse momento, o livro se constrói em retrospectivas, no ponto de vista de todos eles, intercaladas com uma visão de como estão suas vidas nos dias de hoje.

"Gigantes" não é uma história leve. Por mais que a escrita do autor seja assim - o que me fez devorar o livro em uma madrugada -, a história é intensa e com enredos profundos. Talvez eu tenha chegado a essa conclusão porque o tema principal do livro seja "amadurecimento", e acho que todos nós ficamos um pouco nostálgicos e pensativos quando pensamos nisso.

Confesso que me coloquei no lugar de cada um dos personagens e por vez me pegava pensando "o que eu faria nessa situação?". Duda foi quem mais me indentifiquei, mas conforme a história foi se desenrolando, não pude deixar de torcer por Camila. Ela é aquele tipo de pessoa que parece sempre estar fazendo a coisa errada sem querer. Zidane parecia não crescer nunca, mas no final acabou sendo ele quem passou a maior lição do livro.

Que escrita maravilhosa o autor tem! Fez com que eu não sentisse as horas passarem, fez com que eu chorasse (e isso é bem difícil quando estou lendo) e ainda me deu a possibilidade de viver 5 histórias diferentes e contagiantes por uma noite. Com certeza esse foi um dos melhores livros brasileiros que já li em tempos!

31/12/2015

Resenha: Toda Luz Que Não Podemos Ver - Anthony Doerr

Nome: Toda Luz Que Não Podemos Ver (2015)
Autor: Anthony Doerr
Editora: Intrínseca
Páginas: 528
Sinopse: Marie-Laure vive em Paris, perto do Museu de História Natural, onde seu pai é o chaveiro responsável por cuidar de milhares de fechaduras. Quando a menina fica cega, aos seis anos, o pai constrói uma maquete em miniatura do bairro onde moram para que ela seja capaz de memorizar os caminhos. Na ocupação nazista em Paris, pai e filha fogem para a cidade de Saint-Malo e levam consigo o que talvez seja o mais valioso tesouro do museu. Em uma região de minas na Alemanha, o órfão Werner cresce com a irmã mais nova, encantado pelo rádio que certo dia encontram em uma pilha de lixo. Com a prática, acaba se tornando especialista no aparelho, talento que lhe vale uma vaga em uma escola nazista e, logo depois, uma missão especial: descobrir a fonte das transmissões de rádio responsáveis pela chegada dos Aliados na Normandia. Cada vez mais consciente dos custos humanos de seu trabalho, o rapaz é enviado então para Saint-Malo, onde seu caminho cruza o de Marie-Laure, enquanto ambos tentam sobreviver à Segunda Guerra Mundial.
"Toda Luz Que Não Podemos Ver", de Anthony Doerr, foi o livro que levei mais tempo para finalizar em 2015, mas também foi a leitura mais tocante que tive o prazer de experimentar nos últimos tempos, e, por isso, acho mais do que justo que ela encerre o ciclo de resenhas deste ano aqui no blog.

Nesta história, que se passa na 2ª Guerra Mundial, somos apresentados a Werner, um alemão apaixonado por rádios que vive em um orfanato com sua irmã Jutta, e Marie-Laure, a filha cega do guardião das chaves do Museu de História Natural de Paris. Ambos são personagens totalmente distintos, mas que ao longo da história vão mostrando as semelhanças de terem crescido em meio à guerra - mesmo que de lados diferentes.

No museu em que o pai de Marie trabalha, há um diamante chamado "Mar de Fogo", que dizem as lendas que quem o possui vive para sempre, mas perde todos aqueles que ama. Com os alemães chegando à Paris, seu pai é designado a tomar conta dessa pedra e levá-la para bem longe dali; é aí que eles partem rumo à Saint-Malo, para a casa do tio-avô da menina, Etienne LeBlanc, um dos personagens mais incríveis dessa história.

A história se desenvolve em capítulos curtos, as vezes de menos de uma página cada, que são narrados alternadamente pelos dois personagens principais. Além disso, o autor faz viagens no tempo constantemente, dando flashes do que está acontecendo em 1944, quando os dois têm seus caminhos cruzados.
“Abram os olhos e vejam o máximo que puderem antes que eles se fechem para sempre”
Por vezes achei a leitura demasiadamente prolixa (afinal, o livro tem mais de 500 páginas), mas não desisti por dois motivos: ficção histórica é meu gênero literário preferido e o livro foi vencedor do Pulitzer, e eu sabia que deveria haver um bom motivo para isso. Pois bem, ao finalizar o livro, tive certeza que desistir foi a melhor coisa que não fiz. Chegou um ponto em que percebi que a escrita extremamente detalhada de Doerr é um presente para nós, meros mortais, e que cada detalhe deixado sutilmente pelo autor foi essencial para a conclusão da história.

Cada personagem é único. Marie é frágil, mas em nenhum momento senti pena dela, porque ela é dotada de uma coragem sem igual. Werner desmitifica a ideia de que todos os alemães eram crueis, e de antagonista passa à improvável personagem preferido de muita gente - inclusive meu. Gostaria de dizer que fiquei surpreendida com o desfecho doce da história, mas em uma guerra não há esse tipo de coisa. Entretanto, a leveza com que tudo isso é contado nos faz perceber que o que vale não é a bandeira pela qual lutamos, mas sim a índole por trás de nossas ações.

29/12/2015

Resenha: Livre - Cheryl Strayed

Nome: Livre (2013)
Autor: Cheryl Strayed
Editora: Objetiva
Páginas: 376
Sinopse: Aos 22 anos, Cheryl Strayed achou que tivesse perdido tudo. Após a repentina morte da mãe, a família se distanciou e seu casamento desmoronou. Quatro anos depois, aos 26 anos, sem nada a perder, tomou a decisão mais impulsiva da vida: caminhar 1.770 quilômetros da Pacific Crest Trail (PCT) – trilha que atravessa a costa oeste dos Estados Unidos, do deserto de Mojave, através da Califórnia e do Oregon, em direção ao estado de Washington – sem qualquer companhia. Cheryl não tinha experiência em caminhadas de longa distância e a trilha era bem mais que uma linha num mapa. Em sua caminhada solitária, ela se deparou com ursos, cascavéis e pumas ferozes e sofreu todo tipo de privação.
Como vocês perceberam, ultimamente tenho tentado caminhar por estilos literários diferentes sempre que possível, e pela primeira vez li uma autobiografia. Ganhei "Livre", de Cheryl Strayed, de uma pessoa muito querida e por isso coloquei o livro no topo da minha lista de espera. Só posso dizer que não me arrependi disso em nenhum momento!

O livro conta a história de Cheryl Strayed, uma mulher que aos 22 anos perde sua mãe devido a um câncer precoce e depois disso sua vida se torna uma bola de neve que vai aumentando gradualmente: seu casamento desmorona, ela abandona a faculdade e sua família parece fugir de qualquer tipo de contato com ela. Para piorar, chega a um ponto em que ela se vê flertando com o vício em heroína. É aí que aos 26 anos Cheryl resolve deixar tudo para trás e caminhar pela PCT - Pacific Crest Trail -, uma trilha que atravessa os Estados Unidos da fronteira do México à do Canadá.



"Livre" não foi uma leitura rápida, pelo contrário. Eu li a história com muita calma, prestando atenção em cada detalhe, e confesso que por vezes tive que parar e reler alguns trechos porque acabava esquecendo de que se tratava de uma história real (as vezes não dava para acreditar).

Não é à toa que esse livro foi eleito um dos melhores com a temática feminista da atualidade. Cheryl Strayed é uma guerreira, e a cada página ela se reinventa. Ela passou por situações que eu nunca seria capaz de lidar. Confesso que cada vez que Cheryl dizia que não iria chorar eu queria gritar para ela: chore, você pode, isso não vai te fazer menos mulher!


A história é quase um monólogo, levando em consideração que Cheryl quase nunca encontra outros trilheiros, e quando isso acontece é sempre brevemente. Mas a maioria dessas pessoas têm algo que te faz querer saber um pouco mais de suas histórias, em especial Doug, que foi uma pessoal essencial para que a autora transformasse sua jornada em um livro.

Se você, assim como eu, está passando por uma fase de autoconhecimento ou gosta de livros de autoajuda, a leitura é mais do que indicada. Em alguns momentos quis ser louca que nem a Cheryl e me jogar em uma aventura dessas, mas depois lembrei que eu não sobreviveria à primeira noite na trilha. Mas quem sabe um dia, né?

27/12/2015

Resenha: Coisas do Coração - Joana Amorim

Título: Coisas do Coração (2015)
Autor: Joana Amorim
Editora: Autografia
Páginas: 190
Sinopse: Coisas do coração é um livro de pensamentos sentidos verdadeiramente, não só poesias mas todo sentimento que vem a tona quando se está apaixonado. É um tornado de sentimentos que devasta a alma e depois pede perdão ao coração, que como sempre perdoa tudo. É um apelo pelo sentimento que já não se têm quase nenhum respeito humano por ele, e que muitas pessoas já desistiram de sentir e transformam suas vidas em um prático convívio por medo de amar, sim é o amor, é ele que move o mundo de todas as formas. Não tenha medo, ame incondicionalmente. (Via Skoob)

Fazia tempos que não lia um livro inteiro só de poesias - e mesmo não sendo meu estilo literário preferido, fiquei encantada com "Coisas do Coração", minha primeira leitura da Joana Amorim, uma autora extremamente talentosa e carinhosa que eu tenho orgulho de ter como parceira.

Este livro tem como tema principal o amor, em sua forma mais pura e simples. Através de poemas, sentimos as mais diversas sensações consequentes desse sentimento: angústia, medo, carinho, saudade, etc. Confesso que durante a leitura não pude deixar de lembrar de "Monte Castelo", o sucesso do Legião Urbana que traz eu sua letra trechos da Bíblia e de Lusíadas, de Camões. Essa canção tem tudo a ver com o livro, pois trata do amor como sentimento sublime, que nem sempre traz alegria, mas que é necessário a todo ser humano.


A escrita da autora é muito fluída, de modo que devorei as quase 200 páginas do livro em bem menos do que uma tarde. Além disso, seu estilo é completo sem ser complexo, ou seja, a interpretação não é difícil, o que torna "Coisas do Coração" um livro para todos os públicos, mesmo para os iniciantes nesse gênero.

Meus poemas preferidos foram "Conhecendo o amor", "Eu errei" e "Amor e ódio", mas a maior parte deles me tocou profundamente, de formas boas e ruins. Senti uma salada mista de sentimentos enquanto lia essa belíssima obra, e talvez seja por isso que depois dessa leitura senti minha alma mais leve.



Indico a leitura a todos que adoram uma boa história de amor (ou várias, nesse caso). É uma das coletâneas de poesia nacionais mais estruturadas que já vi, e nela tudo me parece se encaixar perfeitamente: desde a fonte utilizada à arte da capa. Quem ler esse livro terá a sorte de ter a sua alma tocada, mas, para isso, é preciso deixar-se levar pelas palavras da Joana.

Classificação:

*Publieditorial. Livro cedido pela autora Joana Amorim. Opinião real da blogueira.

06/12/2015

Resenha: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres - Stieg Larsson

Nome: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (2004)
Autor: Stieg Larsson
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 528
Sinopse: Em 1966, Harriet Vanger, jovem herdeira de um império industrial, some sem deixar vestígios. No dia de seu desaparecimento, fechara-se o acesso à ilha onde ela e diversos membros de sua extensa família se encontravam. Desde então, a cada ano, Henrik Vanger, o velho patriarca do clã, recebe uma flor emoldurada - o mesmo presente que Harriet lhe dava, até desaparecer. Ou ser morta. Pois Henrik está convencido de que ela foi assassinada. E que um Vanger a matou. Quase quarenta anos depois, o industrial contrata o jornalista Mikael Blomkvist para conduzir uma investigação particular. Com o auxílio de Lisbeth Salander, que conta com uma mente infatigável para a busca de dados - de preferência, os mais sórdidos -, ele logo percebe que a trilha de segredos e perversidades do clã industrial recua até muito antes do desaparecimento ou morte de Harriet. E segue até muito depois.... até um momento presente, desconfortavelmente presente.
Sabe quando comentei na última resenha que tenho me apaixonado pela literatura nórdica? Eu não estava brincando. Depois das dinamarquesas Lene Kaaberbøl e Agnete Friis, foi a vez de Stieg Larsson e seu tão famoso "Os Homens Que Não Amavam As Mulheres", primeiro volume da trilogia Millenium. E como esse livro me conquistou! 

Neste livro somos apresentados a Mikael Blomkvist, um jornalista econômico bastante renomado na Suécia que acaba de ser julgado culpado em um caso de difamação contra um dos maiores empresários do país e sabe que isso pode acabar destruindo sua carreira. No meio deste dilema, ele recebe um convite inesperado do magnata Henrik Vanger, um homem desconhecido: fazer uma última tentativa de desvendar o assassinato de Harriet, sua sobrinha-neta, que ocorreu há quase 40 anos e ainda está sem resposta. Com sua carreira em frangalhos e com o ótimo pagamento oferecido por Henrik, Mikael não tem outra opção senão aceitar a proposta.

Lisbeth Salander é uma jovem hacker - a melhor da Suécia, segundo ela mesma - de 24 anos que foge do convencional. Socialmente instável aos olhos do governo mas um gênio aos olhos de quem a conhece, Salander é uma peça fundamental para a solução do caso Harriet e para o desfecho da história. Na minha opinião, não há dúvidas da força que Lisbeth exala. Não falo de força física, porque ela "parece uma garota anoréxica de 12 anos", mas falo de força interior, coragem, perseverança. Sua história de vida é emocionante, e, afinal, ela também é uma vítima de homens que não amam as mulheres.

Stieg Larsson é um autor sem igual, então não poderia deixar de falar sobre ele. Desde que presenciou um estupro sem poder fazer nada quando ainda era adolescente, o autor e jornalista dedicou grande parte da sua carreira à luta por causas feministas. Isso se reflete em suas personagens Lisbeth, Cecilia e a própria Harriet, por exemplo, mulheres que ao longo de suas vidas sofreram todo o tipo de violência por parte de algum homem.

Com personagens que vão do clichê ao inesperado, Larsson nos conquista com reviravoltas a cada página. Sua escrita é detalhada sem ser cansativa; o autor se preocupa em criar um ambiente mais íntimo, em que o leitor realmente se sinta parte da história, e isso funcionou muito bem comigo. Para quem gosta de um bom suspense, a leitura está mais do que indicada - e já entrou para a lista dos meus favoritos!

Classificação:  

*Publieditorial. Livro cedido pela Editora Companhia das Letras. Opinião real da blogueira.

22/10/2015

Resenha: O Menino da Mala - Lene Kaaberbøl e Agnete Friis

Nome: O Menino da Mala (2013)
Autor: Lene Kaaberbøl e Agnete Friis 
Editora: Arqueiro
Páginas: 256
Sinopse: “Você adora salvar as pessoas, não é? Bem, aqui está a sua chance.” Mesmo sem entender o que sua amiga Karin quer dizer com isso, Nina atende seu pedido e vai até a estação ferroviária de Copenhague buscar uma mala no guarda-volumes. Dentro, encontra um menino de 3 anos nu e dopado, mas vivo. Chocada, Nina mal tem tempo de pensar no que fazer, pois um brutamontes furioso aparece atrás do garoto. Será que ela está diante de um caso de tráfico de crianças? Sem saber se deve confiar na polícia, ela foge com o menino e vai à procura de Karin, a única que pode esclarecer aquele absurdo.Quando descobre que a amiga foi brutalmente assassinada, Nina se dá conta de que sua vida está ameaçada e que o garoto também precisa ser salvo. Mas, para isso, é necessário descobrir quem ele é, de onde veio e por que está sendo caçado.
Sua melhor amiga - com a qual você brigou há anos - liga para você e pede um favor um tanto quanto estranho. A ordem é clara: pegar uma mala na Estação Central. Mas e se dentro dessa mala se encontrasse uma criança nua, dopada e provavelmente estrangeira, o que você faria? Foi com essa situação que a enfermeira Nina Borg se deparou.

Quando li a sinopse do livro e vi que era de origem nórdica, confesso que ele me lembrou muito a trilogia Millenium. Só que tudo não passou de uma mera ilusão (de um jeito bom!!!). Nina não tenta se parecer com o jornalista Mikael Blomkvist. Pelo contrário, enquanto ele é motivado por uma oportunidade financeira, a enfermeira tem um instinto maternal que carrega ao longo de toda a sua jornada. É emocionante a forma com a qual Nina transmite seus medos, dando uma dramaticidade muito real à história.

Já na Lituânia, encontra-se Sigita, a mãe do menino desaparecido, que acordou sem lembrar de nada do que aconteceu em uma cama de hospital. E o pior é que nem a polícia nem o seu ex-marido acreditam na sua história. Acontece que o motivo de seu filho ter sido levado pode ter a ver com o passado que a mulher insiste em querer esquecer.

O que mais gostei no livro foi o fato de ele explorar situações atuais da política internacional. Por exemplo, nas horas vagas Nina trabalha como voluntária para uma rede que visa dar auxílio a refugiados ilegais que vivem na Dinamarca. Além disso, os conflitos vão desde tráfico humano (tema central) e prostituição infantil até intolerância religiosa.

De fato, somos apresentados a personagens muito complexos, de diferentes classes sociais e nacionalidades. E pelo livro ser escrito em diversos pontos de vista, podemos conhecer a fundo a personalidade de cada um deles. Destaque para Jucas, o antagonista que tem um história muito triste por trás.

Por último, só queria deixar registrado meu parabéns à tradução da editora Arqueiro. Fazia tempos que eu não lia um livro deles, e não lembrava do fato de a diagramação ser tão impecável. Além disso, tem que ter muito talento pra fazer um tradução maravilhosa dessas do dinamarquês!

Classificação:

E aí, gostaram da resenha? Leriam ou não? Até a próxima!

02/10/2015

Resenha: A Mansão Hollow - Agatha Christie

Nome: A Mansão Hollow (1946)
Autor: Agatha Christie

Editora: Nova Fronteira

Páginas: 256

Sinopse: Um inofensivo convite para almoçar na Mansão Hollow logo se transforma em mais um caso a ser desvendado por Hercule Poirot. A cena do crime parece um tanto artificial - o corpo de um homem agonizando na beira da piscina, sua mulher logo ao lado segurando um revólver, e ainda três testemunhas. Seria na verdade uma encenação, uma brincadeira de mau gosto para provocar o detetive? Infelizmente, para a vítima, não.

Mais um livro da Rainha do Crime, Agatha Christie, para a minha coleção! Dessa vez, o escolhido foi "A Mansão Hollow", um dos livros menos conhecidos da autora, mas que foi uma surpresa extremamente positiva para mim.

Ao receber um convite para almoçar na casa de seus vizinhos, os Angkatell, Hercule Poirot não imaginava presenciar um assassinato. Aliás, ao chegar e se deparar com a cena, ele acredita que o que estava acontecendo não passava de uma "pegadinha de mal gosto" promovida por Lady Angkatell, uma ex-primeira dama muito energética, um pouco esquecida e com um ímpeto de sempre agradar a todos.

Mais uma vez, Agatha Chistie deu show na construção das personalidades de seus personagens. Todos eram intrigantes e um tanto quanto... viciantes. Entretanto, fiquei um pouco chateada com as descrições físicas dos personagens; elas só foram dadas para lá da metade do livro, ou seja, quando todos já estavam muito sólidos na minha imaginação!



Queria falar um pouco sobre Midge, a única personagem que em nenhum momento foi considerada suspeita. Ela é uma Angkatell, como todos os outros, mas que, ao contrário de seus primos, dá duro diariamente pelo próprio sustento. Ela é inteligente e independente, mas ao mesmo tempo é muito doce e altruísta. Gostei bastante da forma que Agatha desenvolveu seu relacionamento com Edward. Fofos demais!

Quanto ao desfecho, mesmo que eu (obviamente) não tivesse desvendado o mistério, não acho que foi nem de longe o mais bem trabalhado da autora. Mas a verdade é que gostei muito do livro, que, como já disse, não teve seu auge no assassinato, mas na personalidade e nas relações intra e interpessoais dos personagens. A cada nova leitura, Agatha Christie me mostra uma nova face sua.

E aí, o que achou da resenha? Quer conferir mais resenhas da Agatha Christie? Confira Assassinato no Expresso do Oriente.

26/09/2015

Resenha: Um Amor, Um Café e Nova York 2 - Augusto Alvarenga

P.S.: Se você ainda não leu a resenha do primeiro livro, não deixe de conferir aqui.
Nome: Um Amor, Um Café e Nova York 2 (2015)
Autor: Augusto Alvarenga

Editora: D'Placido

Páginas: 191

Sinopse:  Dois anos se passaram desde que Camila se despediu do Brasil. Vivendo seu sonho em NY com seus melhores amigos, ela pensa que este será um ano como os dois anteriores... Quando seus pais e amigos a convencem a voltar para casa, Camila se vê encurralada por lembranças do passado e o medo do futuro, sendo obrigada a enfrentar seus sentimentos adormecidos sem transparecer isso para as câmeras. Assim como em nossa própria vida, cada novo capítulo trará uma nova surpresa, novos personagens e novas emoções para essa história. Será que Camila está preparada para as consequências de viver seu sonho? (Via Skoob)
Já falei e vou repetir: Augusto Alvarenga é uma das maiores surpresas do chick-lit brasileiro atual, e inclusive já vem se firmando ao lado de grandes nomes, como Thalita Rebouças e Paula Pimenta. O sucesso do primeiro livro foi tanto, que não demorou a ser lançada a continuação da história de Camila: Um Amor, Um Café e Nova York 2.

Esqueça tudo o que você concebeu como o universo de Camila até agora. Nesse livro, a vida da personagem principal mudou da água para o vinho. Belo Horizonte foi trocada por Nova York. Seu namoro, tema central do livro, deu lugar à sua nova carreira de sucesso. Capítulos cheios de romance foram substituídos por shows e entrevistas.

Ao terminar seu namoro, Camila acabou o primeiro livro desolada. Mas aparentemente o jogo virou, e agora ela parece estar muito bem, obrigada. Mas isso só foi possível porque lá em NYC ela conta com o apoio de Pedro e Camila, seus melhores amigos. Eles são fofos demais, e adorei conhecer um pouco mais sobre cada um deles. 

Enquanto tudo corre maravilhosamente bem para a cantora, Gui parece tomar uma decisão errada atrás de outra. E o pior de tudo: toda a vez que ele tenta consertar seus erros, acaba piorando ainda mais as situações. No final do livro ele até se redime um pouco, e pode ser que a partir de agora ele acorde pra vida e volte a ser essencial para a história, e não mais o figurante que se tornou nesse livro. 

Ao chegar no Brasil, Camila conhece Phellipe, outro cantor que também está fazendo muito sucesso nos EUA. Entretanto, o novo pretendente não convence o leitor - nem ela, que se esquivou de suas paqueras até o último capítulo. Não sei como vai se desenrolar esse triângulo amoroso no próximo livro, mas como Camila tem se saído muito bem, confio nela para tomar a melhor decisão. 

A única coisa que me incomodou um pouco é que, como todo romance clichê, ao chegar toda linda e poderosa de Nova York, quem é a primeira pessoa que Camila encontra no shopping? Guilherme, é claro. Com a nova namorada. Nunca fui a BH, mas acho que a probabilidade de eles terem se encontrado logo de cara era beeem pequena.

A trilha sonora dos capítulos estava ainda melhor nesse livro, com muitas músicas do álbum 1989 da Taylor Swift (rainha!), e com letras que sempre se encaixavam perfeitamente com o que os personagens sentiam em cada capítulo. 

Classificação:

*Publieditorial. Livro cedido pela Editora D'Plácido. Opinião real da blogueira.

05/08/2015

Resenha: Sociedade Secreta: Escolhas de Formatura - Diana Peterfreund

P.S.: Acabei percebendo que ainda não havia feito resenha do último livro de Sociedade Secreta, a saga que revolucionou meu ponto de vista sobre chick-lits. Então, antes tarde do que nunca, aí vai...
Nome: Sociedade Secreta: Escolhas de Formatura (2012)
Autor: Diana Peterfreund
Editora: Galera Record
Páginas: 432
Sinopse: Sociedade Secreta: Escolhas de Formatura - Neste final, Amy Haskel e seus amigos Coveiros estão se preparando para enfrentar a vida fora dos muros privilegiados da universidade Eli. A contagem regressiva para o resto de sua vida começou e, subitamente, Amy parece ter perdido o controle de tudo. A monografia está empacada, os formulários para entrevistas de emprego, não preenchidos. Para piorar, ela tem de indicar alguém para seu lugar na Rosa & Túmulo — a sociedade secreta mais exclusiva e influente do campus... e do país. (Via Skoob)
Nesse livro, enquanto nos prepararamos para dar adeus aos nossos personagens preferidos, Amy Haskel está prestes a deixar Yale para trás - mesmo que ela não esteja pronta para isso. No último ano, a vida dela parece estar uma loucura: além de ter que lidar com a vida de formanda, entre monografias e estágios, ela também precisa fazer as pazes com sua vida amorosa e escolher seu sucessor para a Rosa & Túmulo - tudo isso enquanto se recupera de um terrível episódio que aconteceu nas férias.

Os períodos de despedida são sempre conturbados, entretanto, ao contrário de seus amigos coveiros e da sua melhor amiga Lygia, que já têm um futuro planejado, Amy não faz a menor ideia do que vai fazer após a faculdade. Aliás, ela não sabe nem qual será o tema da sua monografia ainda. Toda a sua insegurança toca o leitor de um jeito que faz com que nos identifiquemos com ela.

Além disso, prestes a se tornar uma patriarca da Rosa & Túmulo, sociedade secreta que a acolheu durante o último ano, Amy precisa escolher alguém para tomar seu lugar no grupo, só que isso não está sendo uma tarefa fácil. Suas opções ficam limitadas entre um garoto mimado e a garota que seria a escolha perfeita - se ela estivesse interessada em participar.

Querem saber de uma coisa? Sempre fui obcecada por universidades americanas, e sou muito grata à Diana por ter me proporcionado essa chance de conhecer, mesmo que através do livro, uma Ivy League. O mais legal de tudo é que esse mundo universitário é tão... acolhedor que Amy não consegue se ver longe dali. Cada decisão que ela tinha que tomar me dava um aperto no coração, como se fosse eu mesma naquelas situações.

Lembram quando eu disse que a Diana revolucionou minha visão sobre chick-lits? Eu era muito preconceituosa com eles antes dessa saga, mas ao me deparar com uma mistura de O Código da Vinci e Diabo Veste Prada, tive que desconstruir meu paradigma. Até a parte do romance é sutil, sem ser forçada em nenhum momento, fazendo com que a leitura se torne muito mais prazerosa (devorei as mais de 400 páginas com muita facilidade). Tudo bem que o casal Amy e Poe ajuda, né?

Ai, o Poe... Babei tanto no guri. Até chorei em algumas partes por causa dele. Ele é um personagem que se transformou ao longo da narrativa, saindo do papel de um provável vilão para o do herói. E mesmo que ele e Amy não conseguissem ficar muito tempo sem brigar eu torci até o último minuto para que tudo desse certo entre os dois.

Tem mais uma coisa que eu não podia terminar sem falar sobre: a genialidade com que Diana Peterfreund abordou o feminismo em sua história. Colocando a cara a tapa, a autora teve coragem para falar sobre os casos de estupro e violência contra as mulheres, que vêm crescendo cada vez mais nas universidades americanas, e provou através de seus personagens que a vítima é sempre a vítima e que o silêncio não é a solução. Parabéns, Diana!

Classificação:

Por meio desta eu confesso: Sociedade Secreta foi uma das melhores sagas que já li.

26/07/2015

Resenha: Um amor, um café & Nova York - Augusto Alvarenga

Nome: Um amor, um café & Nova York (2014)
Autor: Augusto Alvarenga
Editora: D'Plácido
Página: 168
Sinopse: Camila sempre teve um grande sonho: viver um grande amor, como um desses de cinema. Ela só não imaginava que teria isso e muito mais, logo que conheceu Guilherme. Na véspera do aniversário de 3 anos de namoro do casal, e do aniversário de 19 anos de Camila, Guilherme surge com uma surpresa que mudaria pra sempre o romance e a vida do casal: uma viagem de um mês para Nova York. O que ele não sabia é que esse era mais um dos grandes sonhos de Camila, que vai fazer de tudo para que essa seja a melhor viagem deles. Porém, Nova York possui brilhos demais. Poderia algum deles ofuscar o do casal?
Tenho que confessar que "Um amor, um café e Nova York" era um dos livros que eu estava mais ansiosa para receber, porque eu ouvia falar muito bem dele por aí. Dito e feito. Augusto Alvarenga conseguiu criar uma história que vem conquistando cada vez mais fãs pelo país, inclusive outros escritores juvenis, como Paula Pimente e Bruna Vieira.

O livro conta a história do casal Camila e Guilherme, que vão comemorar o aniversário de 3 anos de namoro na cidade mais badalada do mundo: Nova York. Inicialmente, eles são perfeitos - só que de um jeito irritante. Sabe aqueles casais que ficam de mimimi o tempo todo? Então. Mas conforme o livro vai evoluindo, isso vai mudando aos poucos, até que eles atingem uma sintonia muito agradável.



Camila é uma universitária de 18 anos que sempre sonhou em conhecer Nova York, e quando seu namorado, o administrador de empresas Guilherme, a presenteia com uma viagem para lá, tudo parece um sonho. Na minha opinião, essa foi a melhor parte do livro: conhecer NYC pelo ponto de vista dos personagens tornou tudo mais real. Além disso, também pude conhecer um pouco de BH, uma cidade que eu sempre quis visitar.

A história começa a se desenvolver de verdade só na segunda metade do livro, quando, ainda em Nova York, Camila recebe uma proposta que pode mudar sua vida de cabeça para baixo, fazendo com que ela tenha que escolher entre um antigo sonho ou seu futuro ao lado de Guilherme. A partir desse ponto a história fica bem intensa e se desenvolve muito rápido, de um jeito que prende o leitor até o último capítulo.



Outra coisa que eu amei foi a diagramação - desde a capa até as ilustrações que separam os capítulos, tudo foi muito bem planejado e encaixou em harmonia perfeita com a história. Além disso, no início de cada capítulo há um trecho de alguma música que tem a ver com o que vai acontecer. Achei que o autor acertou muito nas escolhas, e por causa disso eu adicionei várias músicas novas na minha playlist. 



Gostei bastante do desfecho da história e do final que ficou em aberto para o próximo livro, Um Amor, Um Café e Nova York 2, lançado ainda nesse mês de Julho. Por mais que o mimimi inicial quase tenha me feito desistir da história, fiquei muito feliz por ter continuado, já que Augusto Alvarenga me surpreendeu muito, e acabou entrando para a lista dos meus autores nacionais preferidos. Desejo a ele todo o sucesso do mundo, e que continue emocionando a todos com a história do casal 20!
Classificação:

P.S.: Já comecei a ler "Um Amor, Um Café e Nova York 2" e posso garantir: é ainda melhor do que o primeiro. Em breve teremos resenha por aqui.

*Publieditorial. Livro cedido pela Editora D'Plácido. Opinião real da blogueira.

27/06/2015

Crítica: Divertida Mente

Sempre fui fã dos clássicos da Disney, mas os filmes da Pixar mexiam - e ainda mexem - comigo de um jeito diferente. Acho que isso se deve ao fato de as histórias se aproximarem mais da realidade. Quero dizer, depois de Toy Story passei minha infância toda tentando pegar meus brinquedos "no flagra", ficava imaginando o que se passava na cabeça das formigas por causa de Vida de Inseto e até hoje espero o Sulli (gatinho!) sair de dentro do meu armário. Com Divertida Mente não é diferente. Mesmo não sendo mais criança, as lições - e explicações - do filme vão ser levadas para a minha vida toda.

Em Divertida Mente (em inglês, "Inside Out"), conhecemos Riley, um garota alegre de 11 anos que acaba de se mudar para São Francisco.  Ao mesmo tempo, também somos apresentados às cinco emoções que regem a vida da garota: Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojinho. Essas emoções basicamente controlam tudo que acontece no cérebro dela. Entretanto, um problema acontece e Alegria e Tristeza são jogada para fora da Sala de Comando (que é como se fosse o centro do cérebro). É aí que a aventura começa.

Todos os personagens são muito divertidos e complexos, e gostei muito da personificação estereotipada deles (Nojinho, por exemplo, é uma "patricinha"). Mas, com certeza, Alegria e Tristeza são as que têm o maior destaque. A primeira é feliz e sempre tenta ver o lado bom das coisas, já a segunda (minha personagem preferida!) é deprimida e preguiçosa. E mesmo com as diferenças entre as duas, elas precisam se entender para conseguir voltar para "casa".

Com a ausência das duas principais emoções, a cabeça de Riley se torna uma bagunça e ela não consegue sentir mais nada. Nessa parte, o filme começa a fazer uma alegoria muito interessante sobre o que é a depressão. Além disso, o filme explica todos os dilemas da psicologia, como os sonhos, as memórias - e como esquecemos algumas delas -, como se forma nossa personalidade, etc., através de metáforas, para que os pequenos entendam.

O filme me lembrou bastante Detona Ralph, lançado em 2013 pela Disney, mesmo as histórias não sendo nem um pouco parecidas, talvez pelos cenários multicoloridos. E ao contrário do que muitos estão comentando, não acho que esse seja "o melhor filme da Pixar desde Toy Story", mesmo que eu tenha achado ótimo. O roteiro é excelente, tem lições valiosas e quanto à qualidade gráfica não tem nem o que comentar: é de outro mundo! Mesmo assim, acho que faltou alguma coisa para receber esse título.

Bing Bong, Alegria e Tristeza

Por último, queria falar sobre o Bing Bong, amigo imaginário da Riley que agora está perambulando sem rumo pelo subconsciente dela, já que foi praticamente esquecido. Ele é um personagem que eu não sabia o que esperar quando surgiu, mas que me surpreendeu muito e acabou arrancando muitas lágrimas.
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Espero que tenham gostado da resenha, e mesmo gostando ou não de animações, assistam Divertida Mente, pois é um filme que mexe com as emoções de qualquer um que assiste!

24/06/2015

Resenha: A Herdeira - Kiera Cass

Nome: A Herdeira (2015) 
Autor: Kiera Cass

Editora: Seguinte
Páginas: 392
Sinopse: Vinte anos atrás, America Singer participou da Seleção e conquistou o coração do príncipe Maxon. Agora chegou a vez da princesa Eadlyn, filha do casal. Prestes a conhecer os trinta e cinco pretendentes que irão disputar sua mão numa nova Seleção, ela não tem esperanças de viver um conto de fadas como o de seus pais… Mas assim que a competição começa, ela percebe que encontrar seu príncipe encantado talvez não seja tão impossível quanto parecia. (Via Skoob)
Se você estava esperando ver o "felizes para sempre" da América e do Maxon, sinto muito! Em "A Herdeira" conhecemos a história de Eadlyn Schreave, a garota que, por ter nascido 7 minutos antes do seu irmão, Ahren, conseguiu a proeza de ser a futura rainha de Illéa. Entretanto, a população não se adaptou bem ao fim das castas e sua coroa corre perigo. Por isso, em um último ato de desespero para reconquistar o amor dos súditos, Maxon convoca uma nova Seleção, só que, dessa vez, para sua filha.

Logo de cara, Eadlyn se apresenta extremamente arrogante. Quero dizer, tudo bem ninguém ser mais poderoso do que ela e tal, mas não precisava ficar repetindo isso de 3 em 3 páginas. Um recadinho: Seje menas, querida. Acho que essa prepotência extrema foi o que fez a maior parte dos leitores odiarem a nova protagonista, mas eu não cheguei a esse ponto. Por quê? Eadlyn sempre foi mimada e preparada para ser uma rainha; sabe lidar com diplomacia, guerras e questões de saúde pública, mas quando é obrigada a enfrentar uma situação que qualquer adolescente passa, ela fica sem chão.

Outra coisa que achei bem interessante (e muito bem trabalhada) na personagem, foi que ela levanta uma questão muito séria sobre o feminismo. Eadlyn provavelmente será uma ótima rainha e quer mostrar para todos que não precisa de nenhum homem ao seu lado para isso. Entretanto, Kiera construiu uma personagem realmente humana, que mesmo tendo bases ideológicas muito fortes sobre sua independência, não deixa de se importar e de ter sentimentos (mesmo que demore muito para demonstrá-los).

Vamos falar de coisa boa? Ah, os selecionados! Seria muito contraditório eu elogiá-los depois de um discurso feminista, mas a verdade é que a carne é fraca e eu sou louca por contos de fadas. Além disso, alguns deles são irresistíveis - e não só no sentido romântico, como em vários outros. Mesmo que o meu coração (e espero que o da Eadlyn também) pertença ao Kyle, daria tudo para ter Hale como meu melhor amigo, Fox como conselheiro e Henri como fiel escudeiro! Gostei que até agora não temos nenhuma noção de quem seria o favorito da princesa.

De pontos negativos não vi quase nenhum, mas sou um pouco suspeita para falar porque sempre devoro os livros da Kiera em menos de um dia. A escrita dela é uma das poucas que flui muito bem para mim. Já a diagramação da Editora Seguinte está ótima, como sempre (não achei nenhum erro). A única coisa que me incomodou um pouco durante a leitura foi as poucas informações sobre o que aconteceu com os personagens antigos. Sei que esse não é o enfoque da série, mas senti falta. Pelo menos, a autora deu a entender que vai explorar alguns plots mais a fundo no futuro, como o de Lucy e Aspen. Espero que sim!

Depois de tanta surpresa, espera e expectativa com o lançamento do quarto volume de "A Seleção", posso dizer que a história evoluiu muito desde o último livro e por isso vou dar 5 estrelas (e um coração de favorito). Percebi que a escrita de Kiera Cass está muito mais otimizada (seria essa a palavra?). Ela conseguiu contar muita história importante em menos de 400 páginas, e senti que não ficou muito cansativo ou com falta de informações (uma coisa que me incomodou bastante em "A Escolha").

Classificação:

Livros anteriores: A Seleção - A Elite - A Escolha 

10/06/2015

Resenha: Entre Quatro Poderes - Grupo (sic)

Sobre a obra: Em "Entre Quatro Poderes", o prefeito de Suares, uma pequena cidade do estado de São Paulo, passa por um momento crítico. Com a Polícia Federal em sua cola e sua vida pessoal desmoronando, o império construído com sangue e mentiras está prestes a ruir. Churrasco, envolto pelas sombras da vida pública, descobriu da pior forma possível que a caminhada de um político pode ser solitária e que cada decisão tem um preço. Só resta saber o quanto ele está disposto a pagar. No final das contas, todos conhecem a vida do homem público, mas sempre existe a história por trás da história.

Em "Entre Quatro Poderes" conhecemos a história do então prefeito de Suares, Alberto Barão, ou apenas "Churrasco", como ficou conhecido por todos. Ao longo do livro conhecemos toda a trajetória do homem (e de todas as pessoas que o rodeiam), para somente nas últimas páginas entendermos o que levou à sua trágica morte. Sim, esse é aquele tipo de livro que começa pelo final, e que te deixa cada vez mais curioso e ansioso para montar todas as peças do quebra-cabeças.

Churrasco cresceu no interior de Suares, a cidade em que acabou por se tornar prefeito. Oriundo de família pobre, que vivia da agricultura, cresceu sempre com o sonho de um dia poder fazer algo para mudar a situação social de pessoas como ele. Entretanto, em contrapartida a Churrasco, havia Cláudio, o irmão egoísta e prepotente, que a única coisa que almejava para si mesmo era se dar bem na vida (e ter para si a garota que o irmão gostava, é claro).



O tempo passa e Churrasco acaba sendo "apadrinhado" por Zé Ribeiro, político famoso na cidade. No ano de 2004, Zé Ribeiro concorre para prefeito e o garoto para vereador - pela primeira vez. Na véspera da eleição, entretanto, o inevitável acontece: Zé Ribeiro é assassinado. Churrasco se elege com a promessa de vingar a morte do padrinho, mas no mundo político, você sempre acaba caindo em tentação...

Nesse meio-tempo, Cláudio se casa com Estela, a filha de Zé Ribeiro. Aliás, que mulher é Estela! Foi minha personagem preferida do livro, com toda a certeza. Ela é fria, calculista, decidida e independente. Depois da morte do pai, ela se separa de Cláudio e vai viver uma vida nova em Brasília. Ela só retorna 9 anos depois, agora como delegada da Polícia Federal, para a investigar os possíveis esquemas de corrupção que têm acontecido na prefeitura de Suares.


É claro que, um livro chamado "Entre Quatro Poderes", não poderia deixar de fora o quarto poder: o Jornalismo. Foi muito interessante ler sobre os dois lados da moeda, ou melhor, da notícia, escritos por pessoas que realmente entendem do assunto: jornalistas políticos que já presenciaram de tudo ao longo de suas carreiras. E, aliás, algumas partes do livro foram "inspiradas" em acontecimentos reais.

Eu pensei em dar quatro estrelas para o livro porque a história é ótima, bem construída, com personagens fortes, mesmo que dois pontos tenham me incomodado: a diagramação teve alguns errinhos. Nada que atrapalhe a leitura, mas como eu tenho esse "TOC literário", qualquer coisa fora do lugar já me incomoda, e, outra coisa, foi o excesso de palavrões, porque senti que alguns trechos ficaram um pouco forçados. Entretanto, pela coragem dos autores de explorar a corrupção, um tema tão polêmico, mas que precisa, de fato, ser problematizado, eles merecem 5 estrelas!

Classificação:

Ufa... a resenha ficou grande, mas era preciso falar todos os detalhes de um livro tão bom quanto esse!

*Publieditorial. Livro cedido pelo Grupo (sic). Opinião real da blogueira.

04/06/2015

Resenha: Testemunha Silenciosa - Gallatin Warfield

Testemunha SilenciosaNome: Testemunha Silenciosa (1996)
Autor: Gallatin Warfield
Editora: Record
Páginas: 412
Sinopse: Granville Lawson, um menino de oito anos, é a única pessoa que presencia o bárbaro assassinato de um casal de velhinhos. Gardner Lawson, promotor municipal e pai do garoto, quer colocar o responsável pelo crime na cadeia, e já tem um suspeito. Só não tem testemunha: traumatizado com o que viu, Granville não consegue lembra de coisa alguma...
Um dos meus hobbies é garimpar sebos, e foi lá que eu encontrei o volume de hoje: Testemunha Silenciosa, do Gallatin Warfield. Comprei esse livro na liquidação de um sebo que estava fechando, e acho que não paguei mais do que R$5 por ele, o que valeu super a pena, para um grande achado desses (mesmo com o ataque de rinite que eu tive depois de ler ele todo empoeirado). 

O livro conta a história de Gardner Lawson, o promotor de uma pequena cidade dos Estados Unidos que tem que lidar com uma situação muito difícil: um casal de idosos foi assassinado e a única testemunha do caso é seu filho Granville. Entretanto, o garoto ficou traumatizado com o que presenciou e por isso seu pai não sabe o que escolher: fazer justiça ou a saúde mental da criança.

Confesso que no começo o livro parece bastante clichê e monótono. Logo de cara somos apresentados a Gardner, um promotor norte-americano e herói do livro, que estaria predestinado a descobrir quem é o culpado pelo crime e a salvar o dia. Já adianto que isso não muda, Gardner é sim o mocinho, mas é muito legal ver o desenvolvimento dele e todos os problemas que ele enfrenta ao ter que decidir entre a lei e o bem-estar do seu filho.

O que mais gostei no livro foi poder saber um pouco mais sobre o direito estado-unidense. Mesmo que eu não queira cursar Direito, gosto de entender como as leis funcionam, e mesmo que o livro seja ficcional, seu embasamento é real. E Lawson, por mais que esteja em uma saia-justa, leva a lei muito a sério.

Ao longo da leitura eu senti muita pena do pequeno Granville, que mesmo tendo que lidar com um trauma psicológico fortíssimo, ainda era obrigado a estar envolvido na guerra de seus pais. Por falar nisso, a mãe do menino é uma vaca, sem eufemismos. Ela atrapalha o andamento do processo, e o pior de tudo: usa seu filho como modo de atingir o ex-marido. Nota 0 como mãe!

Esse livro merece 4 estrelas pelo conjunto da obra. Mesmo a história sendo um pouco clichê, ela flui muito facilmente, e as mentes dos personagens são trabalhadas a fundo. Por mais que a história seja policial, o foco não é descobrir quem é o assassino (mesmo que eu tenha me surpreendido com o desfecho), e sim trabalhar as relações de pai e filho, o que acho que o autor fez muito bem.

Classificação:

Então é isso, pessoal. Espero que tenham gostado da resenha!

13/05/2015

Resenha: Sociedade Secreta: Ritos da Primavera - Diana Peterfreund

Nome: Sociedade Secreta: Ritos da Primavera (2010)
Autor: Diana Peterfreund

Editora: Galera
Páginas: 427
Sinopse: Sociedade Secreta: Ritos da Primavera - Na primavera, os coveiros da Rosa & Túmulo devem estar preparados para sobreviver a um novo ritual da sociedade... na Flórida! Uma ilha particular e muito sol definitivamente fazem parte do que Amy entende por diversão. Mas com seu protetor solar e biquíni, Amy carrega uma pasta que pode significar encrenca. Para completar, entre a graduação e negócios inacabados com um ex-namorado, Amy terá que lidar com a súbita transformação de um misterioso patriarca da Rosa & Túmulo: de detestável e perverso para... atraente? 

Vocês já devem estar cansados de me ouvir falar dessa saga. Ou talvez não. Talvez eu esteja conseguindo convencer vocês de que Diana Peterfreund é uma das melhores autoras de chick-lit de hoje em dia. Ah, e ela não escreve só "literatura de menininha" não. Em um só livro você encontra também comédia, drama, policial e até mesmo um pouco de ficção histórica.

No terceiro volume de Sociedade Secreta, Amy Haskel já começa passando por problemas (como sempre). Em seu último ano de faculdade, a cavaleira da C177 está aprendendo do pior jeito que participar de uma sociedade secreta não tem só vantagens - aliás, até agora Amy não encontrou nenhuma. Porém, depois de um primeiro semestre muito conturbado, ela tem a oportunidade de passar uma semana na ~ilha particular~ da Rosa & Túmulo na Flórida com seus amigos coveiros.

O que mais gostei no livro? O fato de ele já começar com ação. Reclamei na resenha do último livro que ele foi todo muito enrolado, mas acho que a autora tentou se redimir dessa vez e criou dois plots principais. O livro começa com os coveiros invadindo a sede da Cabeça de Dragão para roubar um artefato da Rosa & Túmulo que foi roubado há muito tempo. Pode parecer uma richa boba de sociedade, mas isso desencadeia uma série de problemas - sérios - na vida de Amy.

Nesse livro tem romance sim, mas na medida certa. E o melhor: com o personagem certo! Amy, que estava com a vida amorosa bem enrolada desde o primeiro livro, finalmente encontrou alguém especial - e viu que o amor estava mais perto do que ela imaginava. Aliás, gosto muito de ver o quanto esses dois personagens cresceram ao longo da série, ao ponto de finalmente assumirem o que sentem um pelo outro. Só não posso contar quem é o boy, porque aí seria um super spoiler.

Além disso, o final do livro é surpreendente. Ao longo dele a história começa a se desenrolar de um jeito que eu não esperava - tomando um rumo mais sombrio, o que é uma pista do que podemos esperar no próximo: uma história muito mais madura. Depois de um segundo livro bem mais ou menos, Diana Peterfreund retorna à sua plena genialidade nesse terceiro volume. Lógico que ele recebe 5 estrelas.

Classificação:

Espero que tenham gostado da resenha! E me digam: vocês leriam?

08/05/2015

Resenha: Assassinato no Expresso do Oriente - Agatha Christie

Nome: Assassinato no Expresso do Oriente (1934)
Autor: Agatha Christie
Editora: Ediouro
Páginas: 200
Sinopse: Nada menos que um telegrama aguarda Hercule Poirot na recepção do hotel em que se hospedaria, na Turquia, requisitando seu retorno imediato a Londres. O detetive belga, então, embarca às pressas no Expresso do Oriente, inesperadamente lotado para aquela época do ano. O trem expresso, porém, é detido a meio caminho da Iugoslávia por uma forte nevasca, e um passageiro com muitos inimigos é brutalmente assassinado durante a madrugada. Caberá a Poirot descobrir quem entre os passageiros teria sido capaz de tamanha atrocidade, antes que o criminoso volte a atacar ou escape de suas mãos.

Sempre fui muito fã da Agatha Christie pelo grande exemplo de mulher que ela é para mim. A autora, que ficou conhecida como a "rainha do crime", foi uma das primeiras mulheres a se destacar na literatura a nível mundial em um gênero que não fosse o romance. E, além de ela ser minha autora preferida, foi a responsável por voltar a minha mente para um novo tipo de literatura, com histórias mais maduras.

Eu li esse livro com muita expectativa, mas não me decepcionei nem um pouco. Desde pequena eu ouvia meu pai contar sobre os livros da Agatha Christie que ele lia quando era guri, e ele sempre dizia que quando eu fosse maior e lesse os livros eu entenderia o que ele queria dizer. Até que chegou o grande dia. Comecei, é claro, pelo supra-sumo da autora: Assassinato no Expresso do Oriente. Livro velho, páginas amareladas, uma madrugada inteira de leitura e um mini dicionário de francês do lado - para traduzir os bordões de Poirot - foram mais do que o suficiente para me dar uma das melhores experiências literárias da minha vida.

Neste livro, Hercule Poirot, o grandioso detetive belga criado por Agatha, deve desvendar mais um empolgante e inesperado crime. Ao embarcar no famoso Expresso do Oriente, o homem nunca imaginaria que um assassinato pudesse acontecer lá dentro. E o pior de tudo é que naquelas condições em que se encontravam o assassino só poderia estar a bordo do trem. Nesse livro todos são suspeitos.

Ao longo do livro, vamos conhecendo os personagens única e exclusivamente pelo ponto de vista de Poirot, sendo cada capítulo uma entrevista com cada um deles para reconstituir o momento do crime. Alguns personagens parecem totalmente inofensivos, já outros, nem tanto. O problema é que o morto, Mr. Ratchett, não era uma pessoa qualquer, e sim um criminoso cheio de inimigos.

Para um livro publicado no início do século XX, Assassinato no Expresso do Oriente tem uma linguagem muito simples, sem demais floreios. O mais interessante é que na minha versão do livro (Editora Altaya) há várias expressões em francês que só foram traduzidas em notas de rodapé. Achei isso muito legal, pois me ajudou a aumentar meu (pouco) vocabulário de francês.

Acho que ficaria chato se eu repetisse novamente que esse foi um dos melhores livros que já li, então vou citar dois motivos que me ajudaram a chegar nessa conclusão: a combinação Agatha + Poirot é simplesmente genial. A destreza com que a autora consegue descrever um personagem tão complexo me dá arrepios. Além disso, esse é aquele verdadeiro livro de mistério, em que por mais loucas que sejam suas teorias, a verdade só é revelada nas últimas cinco páginas - literalmente.

Classificação:

E então, o que acharam da resenha? Esse post foi mais poético do que qualquer coisa, porque acima de tudo eu queria demonstrar meu amor pelo livro, pela autora, e, é claro, mostrar que livros antigos são excelentes leituras!  

28/04/2015

Resenha: Um Dia - David Nicholls

Nome: Um Dia (2011)
Autor: David Nicholls
Editora: Intrínseca
Páginas: 416
Sinopse: Dexter Mayhew e Emma Morley se conheceram em 1988. Ambos sabem que no dia seguinte, após a formatura na universidade, deverão trilhar caminhos diferentes. Mas, depois de apenas um dia juntos, não conseguem parar de pensar um no outro. Os anos se passam e Dex e Em levam vidas isoladas. Porém, incapazes de esquecer o sentimento muito especial que os arrebatou naquela primeira noite, surge uma extraordinária relação entre os dois. Ao longo dos vinte anos seguintes, flashes são narrados, um por ano, todos no mesmo dia: 15 de julho. Dexter e Emma enfrentam disputas e brigas, esperanças e oportunidades perdidas, risos e lágrimas. E, conforme o verdadeiro significado desse dia crucial é desvendado, eles precisam acertar contas com a essência do amor e da própria vida.

Gente, não abandonei o projeto 12 Books lá do Irmandade das Blogueiras não. Sei que to em cima do laço, mas antes tarde do que nunca, né? Aliás, acho que pelo livro que eu trouxe esse mês, valeu a pena a espera. Para o tema do mês, que é autor masculino, lhes apresento Um Dia, de David Nicholls, um dos melhores romances que eu já li em toda a minha vida - e olha que não foram poucos!

Um Dia conta a história de Emma Morley, uma aluna exemplar prestes a se formar em Literatura e Dexter Mayhew, um aspirante a advogado. Os dois se conhecem de um jeito muito inusitado: na festa de formatura deles. Após passarem a noite juntos, rola uma química entre os dois, mas o que tiveram fica por ali, já que no dia seguinte eles seguirão caminhos diferentes e provavelmente nunca mais se verão. 

"Eu te amo, Dex. Amo muito. Só não gosto mais de você." 

Diferente do que se esperava, após esse dia, Emma e Dexter desenvolvem uma grande amizade, e todos os anos no dia 15 de Julho eles se reecontram. Durante vinte anos, acompanhamos a evolução dos personagens, suas conquistas e falhas, amores e desamores, e principalmente, a relação sincera dos dois. Acho que esse é o fator determinante que levou ele de "um romance qualquer" para "um grande livro": a simplicidade e a sinceridade entre Em e Dex. A amizade deles nem sempre passa por bons momentos; ela é real. Os dois têm defeitos e qualidades, mas, apesar de tudo, souberam alimentar o amor que nutriam um pelo outro. 

Outra coisa que gostei na história é a escolha do dia 15 de julho para a ambientação do livro. Nesse dia na Inglaterra (onde se passa o livro) é comemorado o dia de São Swithin, e acredita-se que a previsão metereológica desse dia definirá como será o tempo pelo resto da estação. Achei uma metáfora super válida, já que as ações dos dois quando se encontram, nesse dia, definem como será o resto do ano deles. 

"Nos últimos tempos seu estado de espírito se parece com uma caminhada em um rio congelado: na maior parte do tempo ele se sente seguro e confiante, mas existe sempre o perigo de afundar."

Que final desconcertante tem esse livro! Depois de páginas e páginas (anos e anos) acompanhando Em e Dex, David Nicholls cria um final surpreendente. Eu, que sou a rainha dos spoilers, ainda não sabia desse, e posso dizer: foi o final mais chocante que já li. Quando terminei de ler, não sabia se tinha odiado ou amado o livro por causa do final, mas decidi amar, porque como eu disse: são detalhes como esses que transformam uma história qualquer em um grande livro. Não sei o que dizer, apenas sentir...

Cinco estrelinhas - e um coração de favorito! - para essa história maravilhosa que me prendeu durante toda a leitura. Ah, e vale lembrar que tem uma adaptação cinematográfica do livro que lançada em 2011 que foi estrelada por Anne Hathaway e Jim Sturgess. Eu só indico que assista quem já leu o livro, porque o filme serve mais como um complemento ao livro. Mas é excelente, e uma adaptação super fiel!  


Espero que tenham gostado da resenha! O que vocês querem ver por aqui no próximo post?
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