28/10/2015

30 linhas foi pouco: tudo que faltou espaço para falar no ENEM

Nesse final de semana teve ENEM. 
Teve Simone de Beauvoir. 
Teve a problematização da violência contra a mulher. 
Teve (um basta na) cultura do machismo.

Faz tempo que venho utilizando esse espaço do blog para falar sobre um assunto tão necessário de ser tratado, e que ainda não recebe devida atenção, mesmo no século XXI: o machismo. Tenho orgulho de dizer que volto grande parte da minha produção textual (que não é tão extensa, nem tão relevante) para esse tema. Por quê? Porque o machismo é problema meu. É problema seu. É problema de todos nós. Não podemos fechar os olhos para uma cultura que mata - pessoas e sonhos - diariamente.

Um resumo do meu final de semana: Sábado, 24 de Outubro de 2015, 13h30. Fiscal entrega a prova. Caderno branco. Abro. Questão número 1. Tema: o movimento feminista no século XX. Confesso que fui fazer o primeiro dia de provas bem tranquila, já que essa edição do exame serviu apenas como "treino" para mim. Acontece que depois de abrir a prova e me deparar de cara com uma questão dessas, ganhei um gás extra que me fez ir muito melhor naquele dia. Aí para melhorar vem aquele tema de redação no domingo. Obrigada, INEP!

Mas, a bem da verdade, os acontecimentos do final de semana não foram suficientes para acabar com todo o machismo existente no mundo (e eu nunca pensaria uma hipocrisia dessas!), mas mostrou dados altíssimos, que tendemos a ignorar, a mais de 7 milhões de brasileiros que realizaram a prova. E melhor ainda: fez com que essas pessoas refletissem e argumentassem sobre isso.

Não sei para vocês, mas para mim 30 linhas foi muito pouco para expressar tudo o que - no meu ponto de vista - precisava ser dito. Não se enganem, minha redação não foi somente sobre o machismo. Foi focada na violência verbal. Aquela mesma que já é tanta que acaba passando despercebida pela gente. Mas é claro que não pude deixar de citar o antagonista deste post como causa disso tudo.

O textão nosso de cada dia de hoje é só um desabafo, já que tudo que eu quis dizer não coube na folha de redação. Obrigada por me ouvirem!

23/09/2015

Por que o clipe da Lady Gaga nos fez enxergar o que não queremos ver?

Gaga, nunca fui tua melhor fã, mas passei a te admirar ainda mais depois desse clipe, irmã.

Ao contrário de outros trabalhos de Lady Gaga, o clipe de Till It Happens To You não conquista o público pelo seu apelo irreverente e alegórico. Ele é frio, direto e sem pudores. Sua irreverência está numa crueldade cotidiana a mulheres do mundo todo. Mas por que é tão tocante? Porque retrata um crime que atingirá pelo menos 20% das universitárias estado-unidenses até o final do ano: o estupro.

E por que ninguém fala sobre isso? Para as universidades - algumas com renome internacional, como Harvard e Columbia -, enfrentar a dura realidade que atinge suas (e seus, não podemos esquecer que esse quadro não é exclusivamente feminino) estudantes, seria difamar a imagem que elas vêm construíndo há séculos. Entretanto, calar-se não têm sido uma opção para os estudantes violentados.

A discussão dentro dos campi tornou-se tão grande que nessa luta o bom senso acabou ganhando mais um poderoso aliado: o governo norte-americano. Além da pressão para que os crimes ocorridos nos campi passem a ser tratados em Tribunais, e não mais internamente, nos Conselhos de Campus (que vinham absolvendo uma maioria esmagadora de acusados), foi criada a campanha It's On Us, que visa conscientizar pessoas do mundo todo quanto à cultura do estupro (como se fosse muito difícil explicar para as pessoas que "não" é "não").

A grande verdade é que nós ainda não vemos a violência sexual como o ato repugnante que é. Estupro ainda é justificado pelo descontrole masculino ("ai, sabe como é difícil pra um cara se controlar"). A culpa ainda é da vítima ("ela estava pedindo" ou o agressor "não tem culpa de ela ser tão gostosa"). Ainda insistimos em fechar os olhos para um problema que atinge mulheres como eu, como você, como sua mãe e sua namorada. Mas não é conveniente para nós fazemos isso; mulher foi feita pra servir mesmo, não é?

Acontece que, em pouco mais de 6 minutos de vídeo, Gaga se junta ao grito feminista que ainda está preso nas gargantas de muitas de nós há séculos e transmite o que todas nós mulheres sentimos em nosso âmago: compaixão - e não pena - pelas nossas irmãs, violentadas diariamente em todos os cantos do mundo. Irmãs por vezes sem rosto, sem voz, mas que guardam no fundo do peito uma dor profunda, um sentimento de impotência, e até de culpa. As que nunca passaram por isso tentam entender, ajudar. Mas a mensagem da cantora, que é mais uma das vítimas desse quadro gigantesco de violência sexual, é clara: you'll never know, till it happens to you (você nunca entenderá, até acontecer com você).

22/06/2015

Humans of Rio Grande: Uma flor que nasceu no asfalto

Já comentei em alguns posts sobre Rio Grande, a cidade em que moro. Ela é uma cidade portuária, a mais antiga do Rio Grande do Sul, tem a maior praia do mundo (Cassino) e cerca de 200 mil habitantes. Como qualquer outra cidade, Rio Grande tem coisas boas e ruins, mas independente de qualquer coisa, eu amo viver aqui. E, recentemente, uma coisa bem inusitada aconteceu por aqui: o surgimento de uma página chamada Humans of Rio Grande, que tem como objetivo valorizar histórias de pessoas que vivem na nossa cidade. Independente de raça, orientação sexual ou religião, o projeto está aí para mostrar que atrás de cada um de nós pode se esconder uma bela história de vida.

O projeto "Humans of" não é exclusivo daqui. Na verdade, ele surgiu em 2010 como "Humans of New York", idealizado pelo fotógrafo David Stanton. A ideia original fez tanto sucesso que hoje já conta com mais de 13 milhões de curtidas no Facebook e um fotolivro publicado. E não demorou muito para que a ideia começasse a se espalhar pelo mundo. Só no Brasil já são dezenas de páginas nesse estilo. Aqui em Rio Grande, o projeto ganhou vida no começo do mês através de uma jornalista rio-grandina que por enquanto prefere não se identificar (ao longo da entrevista vocês vão entender o porquê). Quando entrei em contato com ela para saber mais sobre a página, ela concordou em me conceder esta entrevista, que eu venho com muito orgulho apresentar para vocês, por ser a minha primeira (de muitas, eu espero). Vamos conferir?

P.S.: Já vou adiantando que o post está bem longo, mas acreditem em mim: vale a pena ler até o final!

Paulo Kiiter, 37 anos - História
É possível ver que a página obteve um alcance imenso em pouquíssimo tempo. Como você se sente quanto a isso?

No interior só existe uma página como essa, que é a de Caxias do Sul. A página de lá existe desde Março, e em uma semana nós já temos o dobro de curtidas [no momento da entrevista a página estava com mais de 7000 curtidas]. Isso mostra que as pessoas precisam disso, sabe? Mostra que realmente gostaram da ideia. E vejo coisas muito legais que eu não estava esperando, como pessoas que não se conhecem interagindo nos comentários. A página está conectando as pessoas pelo bem; e a participação tem sido espetacular. Olha só a história da Maria! Todo mundo conhece ela, e a foto dela uniu as pessoas para conversarem sobre uma coisa boa. Mas a verdade é que quando criei a página, convidei todos os meus amigos para curtirem e fiquei esperando, mas nunca esperava que fosse ter um alcance tão grande e em tão pouco tempo. Quero dizer, só ter colocado o projeto em prática já tinha sido uma grande realização pessoal para mim!

De onde veio a ideia de criar a página?

Não foi uma ideia minha criar a página; esse projeto já existe em várias outras cidades do mundo, eu só achei que a cidade estava precisando de algo assim e resolvi "importar" para cá. O que mais tem na internet são críticos de sofá, então pensei que era hora de as pessoas usarem o tempo que passam online para outra coisa, para conversarem sobre coisas boas. Infelizmente existe uma barreira entre as pessoas, e não era pra ser assim. Não entendo porque não podemos conversar com estranhos na rua. Não é como se fosse errado, como se fosse feio, e as pessoas parecem estar percebendo isso agora, sabe? Ao comentar as imagens é como se estivessem interagindo com as pessoas que eles não têm coragem de falar pessoalmente.

Vassoirou Diouf, 31 e Elhadji Ndiaye, 30 - História
Por que você prefere não expor sua identidade ainda?

Ah, quanto a isso, tem pessoas que confundem, que acham que eu sou o senegalês [da foto de perfil]. Inclusive já vieram me perguntar se eu falava português! Mas eu não me importo, sabe? Na realidade o que as pessoas estão consumindo são as histórias, e por isso acho que não importa quem está por trás disso, porque podia ser qualquer um. Eu sinto que não faço nada demais, eu só quero emocionar as pessoas. O que eu faço de diferente é levantar da cadeira e ir tirar as fotos. Eu sou só a "hospedeira" das histórias, o fato de eu me identificar ou não não vai mudar o impacto que elas têm na vida das pessoas. 

Quais são seus planos para o futuro quanto ao projeto?

Eu penso até em talvez aumentar o projeto, torná-lo colaborativo, porque eu vejo um futuro muito promissor para ele. Acho que tem bastante espaço para algo assim aqui na cidade - as pessoas estão me mostrando isso. E eu percebi que também é possível torná-lo um fotolivro. É algo muito empolgante, e vejo que as pessoas consumiriam isso. Mas, por enquanto, eu só penso em colaborar para a cidade; jogar todas essas histórias na rede e esperar que as pessoas gostem.

Maria, idade desconhecida. - História
Para você, tem alguma história que foi mais emocionante registrar? 

Agora pensando, eu gosto de todas. Mas, ironicamente, foi a da Maria. Ela me emocionou muito pelo fato de ela dizer que "não se lembra" da história dela. A questão é que ela provavelmente lembra, mas o fato de não querer contar significa que deve doer muito. Isso já diz muita coisa sobre ela. E o que as pessoas fizeram ali foi incrível; tenho certeza que se ela pudesse ver nos comentários o que as pessoas acham e falam dela, ela ficaria feliz, porque querendo ou não eles estavam (re)construindo a história dela.

Por que você acha que o projeto é tão importante na vida das pessoas?

Como eu já disse, eu chorei com o exemplo da Maria. Um dos motivos é pelo impacto a história - de um estranho - pode ter. Foi maravilhoso ver as pessoas interagindo, relembrando memórias. É doce. Eu penso que mesmo o projeto sendo pequeno ainda, quem leu e no outro dia saiu na rua e encontrou alguma dessas pessoas, olhou pra ela de um jeito totalmente diferente, com um olhar humano, de compaixão.
Hoje em dia tem muita gente que só espalha o ódio na internet, e com um projeto desses, tu "matas" todas essas coisas ruins que te sufocam. O projeto é simples, mas tem um poder tremendo de mobilizar as pessoas. Eu fico espantada ao ver comentários de pessoas como se o projeto fosse algo... extraordinário. É fantástico, principalmente porque as pessoas não estão acostumadas a isso. Mas eu aposto que todo mundo já chegou a pensar nisso um dia - por mais focadas que elas estejam nas suas próprias vidas. No fundo todos elas se importam e, com certeza, já pensaram alguma vez "poxa, como deve ser a história desse fulano?".

Você já entrevistou alguns imigrantes para a página. Como funciona esse processo?

Nas entrevistas com estrangeiros (que normalmente falam francês) eu gravo todas as conversas, porque eu posso perder muito detalhes importantíssimos se não fizer isso. As entrevistas com eles normalmente são as mais longas, porque nós termos muita dificuldade em nos entendermos. Além disso, mesmo sendo muito simpáticos, alguns deles ficam bem receosos em aparecer nas imagens.

Como surgiu essa "necessidade" de humanizar as pessoas ao seu redor?

Isso vem muito da minha família. Eu sempre aprendi a olhar as pessoas de uma forma humana. Meu pai me ensinou isso. Ele me ensinou que se tu plantares coisas boas, tu vais colher coisas boas. Sempre fui curiosa, então desde pequena eu tive noção de que é importante conhecer as pessoas à nossa volta. E tem histórias que nem nas melhores novelas tu vais encontrar. Sempre tive essa necessidade de interferir, de fazer alguma coisa pra influenciar na sociedade. E acho que qualquer boa ação já faz a diferença, seja lidando com pessoas, com meio ambiente, ou com o que quer que seja. O importante é fazer com o coração, não fazer por fazer. Com poucas atitudes tu consegues transformar o mundo ao teu redor.

E por último, qual a mensagem que você deixa para as pessoas que acompanham o projeto?

Meu conselho é para que comecem a explorar mais o mundo ao seu redor, a interagir mais com as pessoas, porque atrás de cada um existe uma história de vida que pode te surpreender - e meu objetivo com o projeto é justamente contar essas histórias.
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Espero que tenham gostado da entrevista, e não deixem de curtir a página do projeto. Aliás, queria deixar um muito obrigada para a idealizadora por ter me concedido essa entrevista (e por ser uma ótima companhia), e dizer que continue sempre trazendo histórias emocionantes para tornar nossos dias mais felizes!

Qualquer dúvida ou pergunta é só comentar aqui embaixo!

08/03/2015

Grandes mulheres são transformadas em ilustrações inspiradoras

Já faz um tempinho que conheci a página no Facebook de uma grande ilustradora, a Raquel Vitorelo, que transforma  temas diversos - e alguns bem polêmicos - em arte, com um traço muito leve e delicado. Um dos projetos que a Raquel lançou recentemente foi o "Coisa de Mulher", cria ilustrações baseadas em grande mulheres da História. E nada melhor do que o dia de hoje pra trazer algumas dessas ilustras pra vocês, né?






Além de ser uma artista muito talentosa, a Raquel ainda coloca uma breve introdução sobre cada uma dessas grandes mulheres nas descrições das imagens, o que faz com que conheçamos um pouco mais sobre cada uma delas. 


Me contem, quem são as mulheres que inspiram vocês? Parabéns para todas nós nesse dia tão importante e necessário para a conscientização sobre o feminismo e a igualdade de gênero!

14/02/2015

Papo Cultura: Quais os tipos de "beleza" procurados nos concursos?

Quem é gaúcha - assim como eu -, com certeza já ouviu falar da Vanessa Braga, a participante do Garota Verão (famoso concurso de beleza do Rio Grande do Sul, realizado todos os anos pela RBS TV) que ficou famosa por fugir do padrão das passarelas. Aos 14 anos, com 1,61m e 70kg, ela foi a primeira participante plus size da história do concurso.

Vanessa pode não ter sido eleita a representante de Canguçu (sua cidade natal) no concurso, mas com certeza foi a Miss Simpatia desta edição, conquistando a todos com sua timidez, doçura e, principalmente, coragem para enfrentar toda a repercussão que sua história teria. A garota chegou até a participar do programa Encontro, na Rede Globo. Houve opiniões diversas sobre a participação dela no concurso, tanto boas (exaltando sua coragem) quanto ruins (a criticando por não ter um "corpo de miss"), mas esse acontecimento levanta outra questão: era necessário que a participação da menina gerasse toda essa repercussão somente porque ela não se enquadra nos padrões aceitáveis de beleza?

Na mesma época em que esse assunto estourou na mídia, ocorreu o concurso Miss Universo, no qual a representante da Colômbia, Paulina Vega, foi eleita a mulher mais bela do mundo. No meu ponto de vista, Paulina era sim lindíssima, mas a questão é que o concurso nunca levou em consideração somente a beleza de suas candidatas, mas também a postura, etiqueta e, principalmente, a capacidade de trabalhar como uma "embaixadora da paz", levando comunhão e fraternidade a todos os povos do mundo. Especialmente pelo momento das perguntas ser minha parte preferida do concurso - e a mais importante, na minha opinião -, senti que nenhuma candidata foi feliz ou determinada o suficiente em sua resposta, como se não tivessem se dado o trabalho de se prepararem para este momento, como se não fosse importante o suficiente. Me decepcionei bastante nesse quesito.

Outro ponto que me chamou a atenção foi a classificação da jamaicana Kaci Fennell, que terminou em 5º lugar. Essa colocação para um concurso que contou com mais de 80 participantes seria um sonho para qualquer candidata, mas não para a preferida do público, que arrematou a todos com  o típico bom-humor latino e corte de cabelo no estilo joãozinho. Aliás, será que não foi esse corte inusitado que tantos amaram que fez os jurados não a escolherem por ela ter fugido do padrão?

Cabelos curtos, peso acima da média... Por que tanto preconceito em uma sociedade onde o diferente tem ganhado o mundo? Em uma época na qual todos querem ser únicos, infelizmente, e sem lógica alguma, quem foge do padrão ainda é muito julgado. Por isso, termino esse texto com uma das minhas citações preferidas, do ícone da moda Coco Chanel: Para ser insubstituível, você precisa ser diferente. Então não ligue para julgamentos, ouse. Se quiser desfilar, cantar, namorar, viajar, faça, porque a vida é curta e única, e o tempo, ah, meu amigo, ele não volta.    

12/01/2015

Papo Cultura: A incrível história do lápis que foi mais letal que a arma

Liberdade de Expressão - Por Jerm
Dois homens conseguiram parar o mundo - ou melhor, colocá-lo em estado de alerta - na última semana, numa proporção que não era vista desde os ataques às Torres Gêmeas em 2001. Os irmãos Kouashi (Chérif e Saïd) invadiram a sede do jornal francês Charlie Hebdo, em Paris, na última quarta-feira, e assassinaram 12 pessoas, entre eles cartunistas, jornalistas e policiais. O ataque desencadeou uma série de atentados por todo o país, que terminou com um total de 20 pessoas mortas, sendo 17 vítimas e 3 terroristas.

O jornal Charlie Hebdo publica semanalmente charges satíricas sobre diversos temas, como religião, política, cultura, etc. Devido ao seu material bastante "apimentado" e direcionado, o jornal já recebeu várias notas de repúdio e também ameaças, tanto é que há alguns anos atrás radicais islâmicos atearam fogo no antigo prédio deles, que por causa disso foram obrigados a se mudarem para uma sede restrita da qual pouquíssimas pessoas tinham o endereço. O que não impediu que um novo ataque acontecesse...

Depois de tudo o que aconteceu, eu não poderia trazer outro tema para o Papo Cultura desse mês. Afinal, até que ponto vai liberdade de expressão? Em que momento ela deixa de ser uma opinião defendida para se tornar um ataque a outras pessoas ou outros ideais? É isso que vamos discutir no post de hoje.

11/12/2014

Papo Cultura: Violações dos Direitos Humanos

O Papo Cultura de hoje vai tratar dos nossos direitos, já que no último dia 10 foi comemorado o Dia Internacional dos Direitos Humanos. A data foi criada em homenagem à Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela ONU no dia 10 de dezembro de 1948, após as barbáries da Segunda Guerra Mundial.

Conforme a ONU, os direitos humanos são direitos inerentes a todos os seres humanos, independentemente de raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição. Ao todo são 30 artigos que visam promover a igualdade, liberdade e, principalmente, a fraternidade entre todos os seres humanos.

Entretanto, mais de 60 anos após a publicação da Declaração, muitos dos direitos ainda são violados nos dias de hoje. Por isso, trouxe alguns exemplos do que está acontecendo no mundo atual para que possamos refletir um pouco.

  • Conforme o artigo 3, todo homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. Porém, nas condições atuais, em regiões que estão em guerra, milhares de civis tem sido mortos todos os dias, como tem acontecido nos conflitos Iraque x Palestina e na região da Crimeia. (Fonte/Fonte)


  • O artigo 4 diz que ninguém pode ser mantido em regime de escravidão ou servidão forçada, e mesmo sabendo que na Ásia isso ainda é uma prática bastante comum, recentemente soubemos que houveram casos do mesmo tipo muito próximos de nós, como acontecia com as empresas que prestavam serviços terceirizados para as lojas Renner e Pernambucanas. (Fonte/Fonte)


  • O artigo 7 prevê que todos são iguais perante a lei, sem qualquer distinção. Infelizmente, há indícios de que esse artigo tenha sido violado nos EUA, onde dois jovens negros foram mortos recentemente e nenhum dos culpados foi sequer indiciado. (Fonte)


  • Já o artigo 16 diz que qualquer pessoa com mais de 18 anos tem direito a casar, contanto que ambos os noivos consintam com o casamento. Ainda assim, cerca de 1 em cada 9 mulheres casadas casou antes dos 15 anos, e quase a totalidade destas por obrigação. (Fonte)


  • Segundo o artigo 19, todos tem liberdade de opinião e expressão. Esse artigo é o mais contrabalanceado, pois enquanto muitas pessoas viviam sobre regimes ditatoriais, como aconteceu até a Primavera Árabe, muitas outras não sabem impor seus próprios limites na internet. (Fonte)

Fonte
Esses foram alguns exemplos de violações dos Direitos Humanos, mas infelizmente sabemos que ainda existem muito mais casos como estes. Por isso, não vamos ficar só olhando, e sim fazer algo para ajudar, como por exemplo usando a internet por uma boa causa, mobilizando mais pessoas a se conscientizarem em prol de um mundo melhor.

12/10/2014

Papo Cultura: sou mulher, sou homem, sou humano

Hoje começa uma nova saga de posts em parceria com o Estante do Refúgio. Eu e a Amanda conversamos e resolvemos criar uma série de textos em que falaremos sobre questões ligadas a cultura, globalização, integração e etc. Funcionará da seguinte maneira: uma vez por mês irá ao ar em nossos respectivos blogs posts sobre os mais diversos temas - traremos o mesmo assunto, mas em pontos de vista diferentes. No post de hoje, falarei um pouco sobre o sexismo. 

No dicionário, sexismo é definido como "formas de comportamento e ideologias nas quais são atribuídas determinadas disposições e capacidades a indivíduos ou grupos simplesmente por causa do sexo a que pertencem". Ou seja, é o ato de julgar a capacidade uma pessoa por seu gênero sexual. O exemplo mais comum disso é o machismo.

Historicamente falando, o machismo é uma conceito cultural que nos segue há gerações. Basicamente, ele é um conjunto de preceitos opressores adotados por uma sociedade. A ideia geral é de que o homem é superior em vários aspectos, como força e inteligencia. O movimento trata mulheres como dependentes do sexo masculino, taxando-as de sexo frágil. E a partir do momento em que há essa distinção entre gêneros, ele se torna uma peça fundamental do sexismo. Em contrapartida a esse movimento, existe o feminismo

Há quem diz que o machismo e o feminismo se opõem em uma luta de sexos: homens contra mulheres. Não é assim que funciona. Ao contrário do que muitos pensam, o machismo não atinge apenas mulheres, mas homens também. O sistema machista espera que pessoas do sexo masculino façam coisas "de homem", como trabalhar fora, sem passar muito tempo com os filhos. Aposto que quase todo mundo já ouviu a seguinte frase: "Ih, é a mulher dele que trabalha, ele  fica em casa o dia todo. Vagabundo." Com os novos padrões de sociedade, tão aceitável quanto uma mulher trabalhar para sustentar a família, deveria ser um homem cuidar da casa e das crianças. Mas homem na cozinha? Inaceitável! Em um mundo onde mulheres já podem ser presidentes, porque os homens ainda não podem cozinhar sem serem julgados? Isso é um exemplo de que o sexismo atinge a todos, sem distinção de gênero (ironicamente).
Foi aí que, em meados do século XX, surgiu com força o movimento feminista, criado com o objetivo de lutar pelos direitos das mulheres. O feminismo ideal não é sobre mulheres serem melhores do que homens, é sobre igualdade de gênero. O movimento, que inclusive segue os ideais de igualdade, liberdade e fraternidade, vem se aprimorando cada vez mais ao longo dos anos. Há muito tempo ele deixou de ser uma luta das mulheres, e passou a ser uma luta de todos. 

No fim, não são só as mulheres que são oprimidas pelos ideais sexistas, todos sofrem com os preconceitos da sociedade - dependendo do lugar, com mais ou menos intensidade. Na guerra dos sexos não há vencedores, pois os dois lados dependem um do outro para sobreviver (literalmente). A melhor forma de romper as barreiras é assumindo que ambos somos iguais em nossas diferenças e cooperando mutuamente pelo fim dos estereótipos sexistas e por um novo jeito de pensar, em que ninguém é melhor do que ninguém, e onde o respeito prevaleça. Porque afinal, não somos nem homens e nem mulheres, somos apenas humanos.
Fonte das imagens: Google
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